segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Aos Mestres com Carinho

Recordar é viver...do baú do CEPEM, publíco:
Texto de autoria de Ahmed, Lido por Ocasião da Homenagem aos Professores Danilo Marcondes, Everardo Rocha e Francisco Carlos

"Não sabíamos o que esperar das aulas do MBA. Nossa experiência profissional e meia-idade avançada
faziam com que o retorno a um rotina diária de atividades em sala de aula fosse visto com muita
preocupação.
Iniciamos nossa jornada há mais de 10 milhões de anos, no “Rift
Valley” africano. Um pouco mais tarde, já de pé, graças a Lucy, uma
mulher baixinha, mais peluda que a Cláudia Ohana e de beleza discutível,
migramos para a Ásia.
Sempre freqüentando as prateleiras de um exuberante “supermercado
biológico”, evoluímos e nos espalhamos pelo mundo a fora. Nosso
progresso foi notável! Rapidamente, dominamos o
cultivo de vegetais, a produção de remédios e a
criação de animais. Desenvolvemos tecnologia e
expandimos a cultura. Fixamo-nos cada vez mais ao
terreno, alterando-o, aspecto ainda hoje observado
nas tropas de Infantaria, forma mais primitiva de
combatente.
A marcha acelerada do tempo foi bruscamente
reduzida de modo a apreciarmos a Grécia Antiga e
seus formidáveis sábios. Thales de Mileto, Pitágoras,
Aristóteles, Anaxímenes, Anaximandro, e tantos outros
“selecionáveis” desfilaram diante de nossos olhares incrédulos e,
não raro, um pouco sonolentos.
Conhecemos a original e seletiva democracia ateniense.
Passeamos pela Ágora. Aprendemos a detestar os sofistas devido ao
seu pragmatismo irritante. Quase deixamos cair a clepsidra, diante
do julgamento e da morte de Sócrates.
A realidade, o mundo abstrato e o mundo material
apresentaram-se despudoradamente para todos nós. Durante algum
tempo, perdemo-nos no interior de uma alegórica caverna criada por
Platão, que não é aquele “menino” cantor que iniciou carreira como
vocalista da banda Hojerizah, nos anos 80. Entre nós, há quem acredite
piamente estar, ainda hoje, perdido no interior daquele buraco fabuloso,
mas isso é, certamente, um exagero, ou não... diria Caetano.
Um pouco mais adiante, em face do “arqué” das Cidades-Estado e
da Política, atingimos o ápice da sabedoria: “Só sei que nada sei”!
Nadamos nas praias paradisíacas da Ilha de Melos, uma espécie de
Ilha de Caras grega, antes que os atenienes resolvessem
destruir tudo devido a um desentendimento bobo.
“Presenciamos” a Guerra entre Atenas e Esparta sob o comando de
Tucídides, que ficou tão apegado à turma que, volta-e-meia, retornou
para visitar-nos durante o curso. Pesarosos, tivemos que seguir viagem e
deixamos a Grécia Antiga.
Avançamos no tempo envoltos no “zeitgeist”, conhecemos outras
civilizações, vimos nascer religiões e passamos a entender rivalidades
que ainda hoje são motivo de tantas mortes. Lá pras tantas, descobrimos,
embasbacados, que não éramos anjos decaídos, e sim meros “macacos fashion”, alguns,
nem tão “fashion” assim.
Conflitos permearam nosso caminho: convencionais,
assimétricos, pessoais, etc. Diversos pensadores, Hobbes,
Locke, Maquiavel, Rousseau, Kant, dentre outros, produziram um sem-número de
livros, sem, contudo, responder, de modo direto e irretorquível, a uma simples
pergunta: “O conflito é inevitável?”.
Em catarse, “revisitamos” a Guerra do Paraguai, a Primeira Guerra Mundial e
a Guerra do Golfo. Conhecemos, na intimidade, o Irã e seus aiatolás. Descobrimos,
desconcertados, que os curdos são rejeitados em todos os lugares. O porquê disso,
não importa, mas há quem tenha interpretações muito pessoais sobre o assunto.
De Land Hover, partimos para uma
jornada purificadora em busca da Pacha Mama.
Rodamos milhares de quilômetros, defrontamonos
com uma riqueza cultural inestimável e uma
pobreza financeira imensurável, desconfiamos de
como Ingrid Bettencourt foi libertada e
encontramos Evo Morales, antes do previsível
litígio com o pessoal da Meja Luna.
No dia primeiro de agosto, dia de Pacha
Mama, seguindo uma antiga tradição, enterramos
uma panela de barro com comida cozida, mas a Deusa Terra não se revelou.
Ao regressarmos de nossa viagem sul-americana, encontramos Dona Flor,
Vadinho, Teodoro Madureira, Scarlet O´Hara e Rhet Butler prontos para explicarnos
a diferença entre as sociedades brasileira e norte-americana. Ambigüidade
prazerosa versus praticidade progressista! Um primor de espetáculo!
Com tudo isso, foi possível montar um quebra-cabeça sobre a geopolítica
mundial e rascunhar inacabadas linhas sobre o futuro do Brasil, um país grandalhão
e gente-boa, evitando a ingenuidade dos otimistas e a amargura dos pessimistas.
Como legado, recebemos a indicação de milhares de livros “imperdíveis” que
levaremos nossas vidas para ler e entender.
Por tudo o que foi exposto, de forma nem um pouco acadêmica (diga-se de
passagem), essa turma estabeleceu um vínculo indissolúvel com os principais
agentes de um prodigioso milagre de engrandecimento cultural: os professores
Danilo Marcondes, Everardo Rocha e Francisco Carlos. Assim, de modo sincero, gostaríamos de demonstrar
nosso reconhecimento e gratidão homenageando-os com uma lembrança singela pelas horas dedicadas
ensinando-os um pouco de seu conhecimento."

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